Celular

Acordei com vontade de espantar o frio. Tomei café e fui à praça do Papai Noel. Durante a semana a praça fica cheia devido às duas escolas públicas. Hoje estava um pasmaceiro. Alguns pais (pais no masculino mesmo) chegaram à praça com suas crianças. Interessante é observar que todos estavam com seus telefones em mãos. Mas, cada um fez uso diferente.

Um interagia com a filha, pegava uma vez ou outra o celular, pedindo para que a mesma fizesse pose para registrar alguns pontos da praça. Outro ficava quase como um cineasta, se divertindo ao registrar tudo que as crianças faziam, corriam ou descobriam na praça. O terceiro só levou as crianças, sentou no banco e não tirava os olhos da tela luminosa. Foi o que ficou menos tempo na praça. Interessante é que só ele não percebia (ou fingia que não percebia) as crianças pedindo atenção. Ele achou que era motivo para voltar para casa, em vez de se mancar que era um pedido de quem queria tanta atenção quanto a dada ao celular.

Faço a pergunta: que importância damos a alguns objetos e pessoas próximas? E outro quando foi a última vez que olhou a gangorra sem pensar no relógio e nas mensagens que poderiam esperar?


FER-ROU!!!

Se me incomodou tanto
Se ainda reverbera aqui dentro é porque aí tem.
Ô, se tem!

Um alerta soou alto
E o outro não tem culpa
Não tem mesmo!

Se já vi que não vinha nada de lá
Por que lhufas ando irritada
O que o outro tem a ver com isso?

NADA!
Logo, preciso resolver em mim
Por isso a distância

Preciso de ar e organização
Limpar a raiva que é só minha
E só me atinge

Uma hora será fim
Como todo fim de tarde
Indicando que outro ciclo virá.


Sem culpa


Peça desculpas
Não invente desculpas

Eu tô aqui
Eu existo

Teu corpo berra todas as contradições do teu discurso
Não vale a maquiagem que eu gastei

Voltarei para o sol e o salto
E o cabelo ao vento

Fim.

A três



Uma relação a três
A pele vai gritando
Grita mesmo!
Não fala baixo, não sussurra
É como se tivesse um liquidificador bem barulhento dentro da gente
Desde a simples mexida a querer cuspir tudo para todos os lados
Foi riso, foi vontade de chorar, medo, tensão, vontade
O estômago ficou revirado e a cabeça dói até agora da mexida que foi
Senti coisas, tive acessos que nunca senti antes
Que nervoso quando terminou e eu tive consciência do que tava acontecendo
Foi completamente diferente do coletivo
Foi mais íntimo do que estar sozinha à noite
Senti o mesmo no Natan
Senti um mexilhão de emoções na Gabi
Ainda em choque
E a cabeça ainda sente isso.

PS: Depois de escrever esse texto, eu li e ri. Porque dá abertura a outras interpretações.

Enquanto um pedaço de mim é feito de carne e lógica, o outro possui emoções que às vezes necessitam de um meio, de uma porta-voz. E assim, e aqui as expresso...