Reservas


Do que me causa estranheza é o ciclo que quero me afastar tentar se aproximar com "Oi! Vamos sair?" Para muitos amigos é super natural esse interesse, mas confesso que me é esquisito. Minha mãe dizia que eu não era todo mundo. Hoje vejo que não sou mesmo!

Sou reservada. Aprendi a ficar de guarda quando passo por uma situação que me machuca. Proximidade de alguns me incomoda. Por que tanto interesse quando sabem que tive uma história com alguém próximo?

Penso que talvez meu incômodo seja pelo passado, por ver pessoas que se diziam amigas da gente se aproximando da minha mãe quando meu pai abandonou a família. Sem respeitar o luto que ela precisava passar. Quando notaram que não conseguiriam nada, nem sombra das mesmas restou.

Essa proximidade interessada me incomoda desde lá. Olho desconfiada. Coloco os meus muros. Ao ver meus amigos questionarem, falando que é normal o interesse, olho o céu e peço sabedoria. Só que também bate a desconfiança de que me falam isso porque (por mais que falem que a mulher pode ser sim sozinha!) a gente deve agradecer e aceitar a corte de quem aparece.

Só que eu amo uma conversa. Principalmente quando a pessoa não sabe o que falar, fica sem graça. Ali sinto que ela não tá montando papel nenhum, que é carne, osso e erros. Que nem eu. Que entende e respeita o luto não como um desafio de conquista, mas porque quer aquela pessoa perto.

Depois do samba

Foto: Matheus Sousa


Os pés reclamam depois do samba
Doem felizes
Não é possível competir com algumas coisas
Ou algumas pessoas
Difícil demais
Foi como o cara disse
Discursos lindos e atitudes que não condizem
E não ser padrão é difícil
Por isso é melhor ir pelo samba
Chorar e rir
Gozar e cansar os pés
Suar até lavar a alma
Sorrir pelos poros e sola dos pés
Antes sambar só
Mas, com amor por si
Pelo corpo e pela música do morro
Chorar pelos amores que foram
Do que ser o que querem
Ser senhora de si, de mim
É disso que preciso
Além do samba, é claro!

Palavra ao nada


Palavra, para mim, tem força
Fui criança de subúrbio 
(hoje adulta do mesmo lugar)
E se precisasse jurar algo
"Quem jura, mente" ecoava de alguém
Minha mãe dizia que isso é verdade
Palavra deve valer por ser palavra
Não precisa de juras, promessas 
Para que o outro entenda sua importância
Cada vez mais sinto que poucos se importam
Ou cuidam da palavra que dão
Chego até perder o chão
Elas só servem para agradar instantaneamente
E só!
Só que a quem a palavra importa
Dói ver que ela é dada ao nada
Até a gente se acha errado por acreditar
Só que o erro não é 
Palavra é forte sim
Pena que ainda há quem não sabe disso
Ou usa apenas para conquistas
Palavra é presença do outro e de mim
Seguirei acreditando nisso

Quintas

As quintas eram barulhentas
Dias favoritos e estressantes
SEMPRE
Um monte de incertezas
Um monte de coisas vagas
Há quem queira abraço
Há quem necessite disso
Tenho dependência, vício mesmo
Quinta-feira sempre foi um dia bom
Hoje é um "Não sei o quê"
Uma certa exaustão
Muito de medo
Talvez de solidão
Talvez de tudo dar certo e desmoronar...
Mais uma vez
Energias gritam e eu não brigo mais
Deixo tomarem conta
Só que consciente para o bem
E entendendo que às vezes dói um mim
Para melhorar o outro
Tudo isso na quinta, não às 5.


Enquanto um pedaço de mim é feito de carne e lógica, o outro possui emoções que às vezes necessitam de um meio, de uma porta-voz. E assim, e aqui as expresso...